Carregosa

Ficha Geográfica

 

Carregosa é uma das 19 freguesias que constituem o conselho de Oliveira de Azeméis, tem uma área de 14 km2, delimitada a norte com as freguesias de Escariz (conselho de Arouca) e de Fajões, a sul com as freguesias de Codal e de Vila Chã (conselho de Vale de Cambra), e a poente com as freguesias de Pindelo e Nogueira do Cravo. Dela fazem parte os seguintes lugares: Arrifaninha, Azagães, Barreiro, Borralhais, Calvário, Cardeal, Carregosa de Baixo, Carregosa de Cima, Cavadinha, Chão da Silva, Costeira, Currais, Fontanheira, Ínsua, Perrinho, Póvoa, Presigo, Seada, Serrado, Silvares, Teamonde e Vacaria. Tem toponímia aprovada desde 1993, alterada e actualizada em 2004, na qual figuram 149 ruas, identificadas.

Padroeiro: S. Salvador

População: 4000 habitantes

Eleitores inscritos: 3015 (Junho de 2004)

Locais de interesse turístico:

-> Vista Panorâmica dos Adros de Azagães e de Silvares.

-> Nau Catrineta, em Azagães (actual Associação Cultural e Etnográfica de S. Miguel de Azagães).

-> Quinta da Costeira.

-> Quinta da Póvoa e Portal Brasonado.

-> Quinta da Ínsua e Pedra Má.

-> Mámoa.

-> Igreja Matriz.

-> Centro Paroquial.

-> Capelas de Nossa Senhora da Ribeira, de Santo António em Silvares, de São Miguel, de Nossa Senhora da Guia e de Santo António em Currais.

-> Cruzeiros.

-> Cemitério Paroquial.

Actividades económicas:

-> Indústris Metalúrgicas.

-> Indústrias de Construção Civil.

-> Indústrias de Madeiras e Alumínio.

-> Indústrias de Calçado e Componentes.

-> Indústrias de Mobiliário de Madeira e Metálico.

-> Insústrias de transformação de Plástico.

-> Indústrias de Serviços.

-> Agricultura.

-> Comércio.

Artesanato

Tapetes e restauro de mobiliário e de Arte Sacra.

Gastronomia

Embora não constituam pratos típicos da Freguesia, Carregosa dispõe de bons restaurantes e casas de pasto, onde se podem degustar iguarias, nomeadamente o bife de vitela, o prato de bacalhau, vitela assada, lombo, costeleta e barriga de porco, rojões, feijoada e outros.

Património Natural, Cultural e Edificado

Igreja Matriz, Centro Paroquial, Capela de Nossa Senhora da Ribeira, Capela de Santo António (Silvares), Capela de São Miguel, Capela de Nossa Senhora da Guia, Capela de Santo António (Currais), Cruzeiro de Azagães, Pedra Má, Mámoa de Silvares, Quinta da Costeira, Casa da Quinta da Costeira, Quinta da Póvoa, Casa da Quinta da Póvoa, Cemitério Paroquial, Escola Dona Eduarda Vasques.

Festas e Romarias

Santo António, na capela de Silvares, no domingo seguinte ao dia 12 de Junho, Nossa Senhora de Lurdes, na Capela de Nossa Senhora de Lurdes, na Quinta da Costeira, no 1º domingo de Agosto, Nossa Senhora do Rosário, na Igreja Matriz, no 1º domingo de Setembro, São Miguel e Nossa Senhora da Guia, na Capela de Azagães, no domingo seguinte ao dia 28 de Setembro.

Desporto, Cultura e Lazer

Preocupada com o desenvolvimento integral do local, esta Freguesia está dotada de alguns meios, como um Centro Hípico e uma Escola de Música.
Ao longo dos tempos, as populações foram-se organizando em associações ou colectividades, perseguindo finalidades e objectivos bastante diversificados, sempre visando elevar a sua cultura e o seu bem-estar social.

São disso exemplo:

-> Associação Cultural e Etnográfica de São Miguel de Azagães - Foi fundada em 1962.

-> Banda de Música de Carregosa - Esta colectividade nasceu no dia 4 de Fevereiro de 1889.

-> Grupo Estrela Azul - Nasceu em 1965.

-> Secção Xadrez e Coteccionismo - Foi fundada em 1995.

-> Juventude Desportiva Carregosense - Foi fundada em 1974.

-> Clube de Caça e Pesca - 1987 foi o ano da sua fundação.

-> Universitários de Carregosa - Esta colectividade foi fundada em 1989.

-> Associação Cultural e Desportiva de Azagães - A sua fundação data de 1998.

-> União Recreativa "Os Amigos da Terra" - Foi fundada no ano de 2000.

-> União Desportiva e Recreativa de Teamonde - Foi fundada em 2000.

-> Associação Columbófila de Carregosa - Foi fundada em 1960.

-> Associação de Pais da EB 2,3 de Carregosa - 2002 foi o ano da sua fundação.

-> Associação de Pais dos Alunos da Escola n.2 de Azagães - Nasceu no ano de 2001.

Serviços Públicos e Outros

Posto Médico, Farmácia, Comissão de Assistência Social, Posto de Correios, Duas Agências Bancárias (Crédito Agrícola e Banco Totta), Um Centro Hípico, Uma Escola Básica 2,3, Quatro Escolas Primárias, Três Escolas Pré-Primárias. Nas instalações do Centro Social, Cultural e Recriativo estão sedeadas uma Creche e um Jardim de Infância. Uma Escola de Música funciona na Banda de Música de Carregosa.

Ficha Histórica

Plantada num ameno e fértil vale, abrigado de norte e nascente pela ossatura montanhosa da Serra do Perrinho, de Sul pela Serra de Codal e regado pelo Rio Antuã, Carregosa entesta com freguesias dos Conselhos de Arouca e de Vale de Cambra.

O seu topónimo provém de "carrago", sinónimo de arrail bélico, cercado de carros carregados de armas e munições. Os "casais" de Arrifaninha, Currais, Ínsua do Codal, Lomba, Mourisca, Paço de Azagães, Póvoa, Teamonde e Vacaria foram bens reguengos da coroa e depois herdados dos Condes da Feira, dos mosteiros de Semide e de Santo Elói e da Casa do Infantado. Ressaltam ainda os factos de dois desses lugares, Teamonde e Ínsua terem sido importantes "vilas" doadas pelo rei Ordonho em 922 ao Bispo de Coimbra, Dão Gomado; o do histórico Paço de Azagães, que em 1199 andava arrendado ao cavaleiro Estevão Gonçalves e em 1377 doado a Dão Afonso Telo, Conde de Barcelos e, ainda, da representatividade das casas de Azagães e Póvoa, pertencentes a nobres famílias armoriadas de Borges e Carvalhos, aqui radicados desde longa data.

Pertenceu ao termo da Feira, comarca de Esgueira e depois da comarca da Feira. Pertenceu também à Casa do Infantado, depois de ter pertencido à dos Condes da Feira. Os infantes representavam aqui o prior, que tinha de renda 700 mil réis. Aproveitou o foral passado a Feira e Terra de Santa Maria de 10 de Fevereiro de 1514.

Carregosa contou, ao longo dos séculos, dentre os seus naturais, com habilíssimos entalhadores em madeira e em pedra, de que são testemunhos o brasão da Quinta da Póvoa e as imagens dos quatro evangelistas na fachada da capela de Nossa Senhora de Lurdes, na Quinta da Costeira.

A. Costa, no seu "Dicionário Coreográfico" dava conta em Carregosa da existência de uma excelente fábrica de papel, com motor hidráulico, no lugar da Póvoa. E esclarece que a fábrica, que pertencia ao Morgado da Póvoa, fundada em 1858, produzia anualmente "3 contos de réis de papel" e que obtivera uma menção honrosa na Exposição Industrial Portuense de 1861.

Há, ainda, escritos que se referem à existência de uma fábrica de chapéus em Carregosa no século XVIII. Alguns carregosenses foram também pioneiros da indústria de alumínios, cobre e latão, a qual teve forte expressividade em freguesias vizinhas, até aos nossos dias.

Das figuras ilustres de Carregosa sobressai a de D. Manuel Correia de Bastos Pina, que nasceu em 1824, formando-se em direito pela Universidade de Coimbra. Fez-se padre e cónego da Sé de Viseu e pouco tempo depois, chantre. Transferiu-se para Coimbra, onde foi deão. Poucos anos depois foi nomeado coadjutor e futuro sucessor do bispo de Coimbra, tomando conta do bispado por morte do prelado, e foi sagrado em 1872. Recebeu o título honorífico de Conde de Arganil.

Conceneu, com o seu irmão, o Conselheiro António Maria Correia de Bastos Pina, o originalíssimo Santuário de Nossa Senhora de Lurdes em Portugal, inaugurado em Agosto de 1902, tendo sido os trabalhos de construção iniciados em Março de 1898.

Merecm também destaque, D. Eduarda Vasques no campo da benemerência, Dr. Juíz Conselheiro Manuel Joaquim Tavares da Costa na política nacional, Padre Allyroi de Melo na cultura e crítica literária e Vicente Sousa Brandão, na petrografia, mineralogia e cristalografia, sendo de realçar a construção, pela Casa Fuess, de Berlim de um microscópio petrográfico, sob sua orientação.

A povoação de Carregosa foi elevada à categoria de Vila no dia 13 de Julho de 1990.

Efeméride

O rei D. Manuel II esteve em Carregosa no dia 24 de Julho de 1910, e de forma muito especial na Quinta da Costeira, em visita de cortesia a D. Manuel Correia de Bastos Pina.

A presença de Sua Majestade constituiu provavelmente um momento de honra e de glória para a história de Carregosa e das suas gentes.

Sobre o importante acontecimento transcrevemos, com ortografia actualidade, em excerto da notícia divulgada pelo jornal "O comércio do Porto" do dia 26 de Julho de 1910.

Chegada a Carregosa

O rei, ao chegar a Carregosa, uma banda de música seguiu o automóvel real até à Quinta da Costeira: os foguetes estalavam de todos os lados e de toda aquela imensa multidão, costituída por gente da localidade e por outra que acorreu de pontos distantes, saíam as mais estrondosas aclamações. Sua Majestade descansou um pouco no palacete da Costeira, enquanto o Exmo. Bispo-Conde se paramentou, ostentando uma magnífica casula bordada a matiz, organizando-se em seguida uma préstito, composto dos convidados do ilustre prelado e de muitas outras pessoas, até à igreja do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, que fica no alto da ampla e formosa quinta. Debaixo do pálio, a cujas varas seguravam algumas pessoas de distinção, iam o Rei e o Bispo-Conde. As saudações do monarca foram constantes, partindo da grande massa de povo que se comprimia à beira da bela avenida cingida de ábatos. De onde em onde, numas pequenas tribunas, em número de 25, estavam meninas vestidas de branco, que lançavam flores sobre o régio visitante.

Em frente do santuário, uma menina pronunciou, expressivamente, uma alocução, saudando o rei e a família real, tecendo louvores ao Exmo. Bispo-Conde e agradecendo a visita do monarca àquelas terras. Nesse ponto viam-se muitas bandeiras e um arco com o dístico "Viva Senhor Manuel o Rei".

No Santuário de Loures

Logo que o préstito entrou no templo, o rei foi ocupar o trono que lhe estava destinado, ao lado do Evangelho, ficando rodeado da sua comitiva, e o exmo. bispo-conde pricipiou a missa, sendo acolitado pelos Exmos. Senhores Adelino de Aguiar e o prior de Carregosa. Durante a missa, a filarmónica de Carregosa executou, no coro, diversas peças. Acabou a missa, o rei esteve a examinar o gracioso templo, mostrando-se surpreendido por todo ele se traça exclusivamente do exmo. bispo-conde, como é plano da sua excia. toda a vasta e grandiosa obra do Santuário de Carregosa.

Organizando novamente o cortejo, o rei e o bispo-conde dirigiran-se, sobre o pálio, para o palacete da Costeira, por entre a multidão que a custo e em aclamações constantes e ruidosas deixava transitar.

Em seguida, pouco depois da uma hora da tarde, foi servido o almoço.

A sala oferecia o mais belo aspecto, com a mesa guarnecida de flores, de cristais e de iguarias. Foram 22 os convivas.

No lugar de honra, sentava-se o rei, dando a direita aos senhores Governador Civil de Aveiro, Doutor Vaz Ferreira, conde de Águeda, tenente da polícia, Feijó Teixeira, conde São Lourenço e administrador de Oliveira, Doutor José Beleza, ficando à esquerda os senhores do reino, Doutor Ernesto Pinto Basto, Prior de Cadofeita, Bento Carqueja e Bastos Pina, prior de Carregosa.

Em frente do rei, o bispo-conde, dando a direita aos senhores presidente da Câmara de Oliveira, Doutor Paulo de Almeida, Conde de Sucena, directosr das obras públicas, Paulo de Barros e delegado de Oliveira, Doutor Maurício Pimentel. À esquerda ficavam os senhores Juiz de direito de Oliveira, Doutor Eduardo Carvalho, João Borges de Almeida e Doutor Eugénio de Castro.

As cabeceiras da mesa eram ocupadas pelas pessoas da comitiva do rei, marquês de Alvito, coroneis Fernado Eduardo de Serpa e José Lobo e Doutor Artur Ravara.

O "menu" do almoçom esplendidamente servido, foi o seguinte: "sopa de creme de galinha, pastéis folhados, trutas da Suissa, lombo de vaca, fois-gras com gelatina, costeleta de vitela à milaneza, maionese de salmão, perú assado com trutas, espargos, pudins vários e frutas. Vinhos de Carregosa (tinto e branco), Madeira (1810), Porto (1815), Champagne".

À champagne, exmo. bispo-conde saudou o rei, começando por agradecer a honra que D. Manuel lhe conferira, visitando naquela aldeia a casa em que o ilustre prelado nasceu. Aludindo à sua idade provecta, disse que tinha a consolação de haver bem servido e a confiança de servir sempre a sua pátria, da qual, D. Manuel o rei é justificada esperança, citando, a propósito, as palavras de Simão, quando se consola por algum bem haver espalhado. Tendo uma enternecida alusão para as dores de S. M. a rainha D. Amélia, fez votos para que se mantenham as crenças dos portugueses e para que o monarca possa ver a nossa pátria tão gloriosa como ela foi no passado, especialmente no tempo do rei Manuel I de nome. Terminou, brincando por S. M. o rei e por sua augusta mãe.

O rei, levantando-se, afirmou quanto lhe era agradável ir a casa do bispo-conde de Coimbra e quanto o enterneceram as referências por ele feitas a sua augusta mãe. O bispo-conde, desse, soube cumprir sempre o seu dever, como é preciso que todos os portugueses o cumpram. Pela sua parte, havia fazer sempre com que o povo português tenha confiança no seu rei. Terminou brincando pelo bispo-conde de Coimbra e pelo futuro do nosso Portugal.

Trocaram-se ainda muitas saudações entre os assistentes, especialmente dirigidas por S. M. o rei a alguns deles.

Acabou o jantar, entraram na sala dos quatro filhinhos do Senhor Doutor Eugénio de Castro, soltando vivas ao rei, a quem ofereceram flores.

O café foi servido na sala de visitas do palacete, constantemente rodeado de grande número de pessoas, que, de momentos a momentos, explodia em saudações ao rei. Enquanto ali se conservou, S. M. conversou com muitas das pessoas presentes. Dirigindo-se ao digno juiz da comarca de Oliveira de Azeméis, Senhor Doutor Eduardo de Carvalho, mostrou desejos de conhecer os importantes livros de purisprudência deste ilustre magistrado, que sabemos que vai oferecer ao rei exemplares das suas obras.

Em seguida, S. M. acompanhado do Exmo bispo-conde e seguido da comitiva e demais convivas, atravessou essa quase impenetrável multidão de gente e dirigiu-se à parte mais alta da quinta para ver as grutas e fontes, que constituem um admirável conjunto. A água, jorrando caprichosamente de todos os lados, espalha deliciosa frescura.

S. M. demonstrava, a todo o momento, o seu agrado e íntima satisfação por tudo quanto observava, significando, ao retirar-se, o mais vivo agradecimento ao exmo. senhor bispo-conde pela maneira calorosa como foi recebido.

Pode, realmente, o nobre prelado ter orgulho da maneira brilhante e entusiástica como decorreu a visita do rei ao seu querido torrão natal, onde tantos sinais tem deixado da sua fé católica, do seu amor pela terra que o viu nascer, do seu engenho, da sua prodigiosa e benéfica actividade.

Tomando a custo o automóvel, tão densa era a multidão que se comprimia nas ruas da quinta da Costeira, S. M. o rei e a sua comitiva, bem como o exmo. bispo-conde, dirigiram-se para o santuário de La-Salette, junto da vila de Oliveira de Azeméis.